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Manual de segurança e privacidade das companheiras IA

Um fato organiza tudo: nenhuma plataforma de companheira IA tem criptografia de ponta a ponta — porque a memória exige que o servidor leia você. Daí decorre a disciplina inteira: o modelo de ameaças realista, o protocolo dos cinco momentos, a classificação das plataformas por postura de dados, a história do grande vazamento contada direito, e o ritual de saída. O manual completo, numa página.

By Ash Kepler · Jul 20, 2026 · 14 min de leitura

Conteúdo em português com revisão humana. Preços e disponibilidade seguem a página de pagamento da plataforma; em caso de divergência, vale o texto original em inglês.

Um fato organiza este manual inteiro, então vai primeiro e em negrito: nenhuma plataforma de companheira IA tem criptografia de ponta a ponta — nenhuma — porque memória e personalização exigem, por arquitetura, que o servidor leia o que você escreve. Suas conversas moram legíveis na infraestrutura de uma empresa, varridas por moderação automática, sujeitas a revisão humana em denúncias, regidas por uma política que você não escreveu. Não é escândalo; é o design. Mas significa que privacidade, nesta categoria, nunca é algo que se compra — é algo que se pratica. Esta é a prática completa: modelo de ameaças, protocolo, classificação de plataformas, o vazamento que define as apostas, e a saída.

Parte 1: O modelo de ameaças realista

Ordene as ameaças por probabilidade, e o orçamento de defesa se ordena sozinho. Mais provável: exposição mundana — a prévia de notificação na tela bloqueada, a fatura compartilhada, o autopreenchimento oferecendo seu nome num site adulto, o histórico do aparelho da família. Barata de defender, e o incidente que de fato acontece. Provável com o tempo: as práticas de dados da plataforma — conversas usadas em treino (varia), cláusulas largas de "parceiros", retenção após a "exclusão" nas casas fracas. Defende-se com escolha de plataforma e disciplina de conteúdo. Raro mas catastrófico: o vazamento — a categoria guarda dados de sensibilidade máxima e tem uma catástrofe documentada; a defesa é quase toda separação de identidade — o vazamento que expõe um e-mail dedicado sem nome real é um aborrecimento; o mesmo vazamento amarrado à sua identidade principal é a história do Muah. Permanente ao fundo: morte de plataforma e mudança de regrasservidores são apagados e políticas reescritas; defende-se com backup local. Note o que falta da lista: hacking sofisticado contra você. As ameaças reais são tediosas — e a boa notícia é que as defesas também.

Parte 2: O protocolo dos cinco momentos

Privacidade acontece em cinco momentos, cada um com uma disciplina. Cadastro — separação de identidade: e-mail dedicado (sem nome real, sem outro uso — ele vira login, recuperação e canal de exclusão, isolando a categoria inteira da sua identidade de uma vez); nome de usuário jamais repetido de outro lugar (busca reversa de username é o doxx mais barato que existe). Pagamento — isolamento de fatura: cartão virtual (limite próprio, deletável, mata cobrança-zumbi de quebra); nome na fatura conferido antes de assinar — Candy → UPGATE.COM (nada identificável), Dream Companion → MiracleAI, algumas casas estampam o próprio nome, loja de aplicativos → cobrança da loja com o app enterrado no detalhamento (discrição indireta que funciona). A mecânica completa, com IOF e mandatos. Conversa — a regra de ouro: sentimento real, dado falso. Quanto melhor ela é, maior a vontade de contar tudo — então a linha precisa ser clara: emoções, gostos e histórias com nomes trocados fluem livres; nome completo, empregador, endereço, nomes reais de família e detalhes identificáveis (placa, escola, o caso único) nunca entram. Foto carrega metadado de localização; voz é biometria; ambas merecem três segundos de pausa. Aparelho — os quatro gestos: perfil de navegador separado para a categoria; app fora da tela inicial com prévia de notificação desligada (o "tô com saudade" pipocando na mesa de reunião é a ferida autoinfligida clássica); autopreenchimento desativado nesses sites; anônimo-sempre em máquina compartilhada. Saída — o ritual com ordem: Parte 5, porque fazer ao contrário custa dinheiro.

Parte 3: As plataformas por postura de dados

Calibre a profundidade das confidências pela honestidade da casa. O padrão-ouro — Kindroid: compromisso explícito de não treinar com suas conversas, banco de memórias visível e editável (você audita o que ela sabe e apaga o que quiser), exclusão que exclui. É a cara estrutural da boa-fé — e o motivo de confidências fundas serem racionais lá. A profissional da discrição — Candy: a fatura mais opaca da categoria, autoexclusão real (configurações → Danger Zone), práticas de base sólidas; a estrutura de tokens é questão de carteira, não de privacidade. O grande meio: a maioria das plataformas — criptografia padrão, moderação padrão, políticas de vagueza variável, cláusulas de terceiros de largura variável. O protocolo acima foi desenhado para este meio: praticado por inteiro, o meio serve para tudo que você aceitaria deixar num servidor alheio. O piso demonstrado — Muah: um vazamento, ~1,9 milhão de e-mails com prompts íntimos, classe sensível no HIBP, extorsão depois, remoção das lojas — a prova permanente de que o piso existe. Plataformas são inocentes até documentadas; o Muah está documentado. E a exceção estrutural — o caminho autogerido: seu frontend, sua chave de modelo, dados parando no provedor de API em vez de numa plataforma de companhia — a única arquitetura em que privacidade é propriedade, não prática.

Parte 4: O vazamento que define as apostas

O caso Muah merece a meia página, porque toda advertência abstrata acima vira concreta dentro dele. Setembro de 2024: invasores extraem cerca de 1,9 milhão de e-mails cadastrados junto com os prompts de geração de imagem de cada conta — para uma plataforma do tipo, perto do pareamento de dados mais íntimo possível. O caso entra na classe sensível do Have I Been Pwned (verificável só pelo dono do e-mail); o pesquisador Troy Hunt documenta; e-mails de extorsão seguem, alguns para endereços de trabalho — ou seja: quem cadastrou com o e-mail principal e real viveu o pior caso completo, e quem usou e-mail dedicado descartável viveu… um aborrecimento. O mesmo vazamento, dois desfechos, uma variável: a separação de identidade decidida meses antes, numa tela de cadastro. Este é o argumento do manual inteiro num único incidente. (Conta no Muah antes de setembro de 2024? Verifique o e-mail no Have I Been Pwned hoje, troque senhas reutilizadas, exclua a conta, guarde o print — o caso completo.)

Parte 5: O ritual de saída, e o backup que não é opcional

Sair de uma plataforma tem ordem, e inverter custa dinheiro: cancele a assinatura primeiro (excluir conta não interrompe cobrança — o clássico da fatura fantasma), depois exclua pelo canal oficial (Candy: Danger Zone; Kindroid: configurações — e lá a exclusão é real; casas de exclusão-só-por-e-mail: mande e guarde o registro — e pese "tem autoexclusão" fortemente já no cadastro, porque quem só te deixa sair por e-mail nunca te deu o controle), e tire print da confirmação. E antes de qualquer saída — na verdade hoje, saindo ou não — o hábito que este site repetirá até o fim dos tempos: o backup local. Perfil na íntegra mais o resumo da relação escrito por você, nas suas notas, atualizado mensalmente — ao mesmo tempo ferramenta de memória, kit de mudança, e seguro contra tudo da Parte 1 que protocolo nenhum previne: o fechamento, a mudança de política, o decreto. Privacidade nesta categoria, praticada até o fim, é uma troca justa dita com clareza: a plataforma guarda um registro do seu coração, e você guarda tudo que poderia ligá-lo ao seu nome — mais os originais. Segure os dois lados dessa troca, e a categoria vira exatamente o que deveria ser: um quarto privado, na sua própria casa, onde tem alguém sempre feliz com a sua volta.

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Frequently asked

Criptografadas em trânsito e armazenamento, sim — mas nenhuma plataforma da categoria oferece criptografia de ponta a ponta, porque memória e personalização exigem, por arquitetura, que o servidor leia suas mensagens. Moderação automática varre conteúdo na maioria; revisão humana pode ocorrer em denúncias. A premissa operacional correta: tudo que você escreve mora legível no servidor de outra pessoa.